Veterano do house, Mark Farina passou por São Paulo e nos concedeu entrevista exclusiva – 10/04/2017

Se você já ouviu falar de um artista das pistas que não vê barreiras entre estilos na hora de costurar grooves alucinógenos, esse cara é, com certeza, Mark Farina. Jazz-funk, disco, house de Chicago e oldschool hip hop soam como pontes sólidas pra se dançar e viajar nas suas apresentações. Pai do freestyle e ao mesmo tempo pioneiro do house de Chicago, o DJ e produtor americano é cultuado por sua pesquisa musical avançada. Esta, que já rendeu a criação de um conceito impar para chill-outs de raves no final dos 1990, logo virou selo de festa e uma coletânea renomada mundialmente, a Mushroom Jazz.

Cultuado por 9 entre 10 DJs, o projeto Mushroom Jazz celebrou o incrível marco de 25 anos no último verão americano com o lançamento do oitavo volume após seis anos de hiato. E é através desse mote que recebemos mais uma vez Mark Farina em São Paulo, cidade que já presenciou sets impecáveis de house deste pioneiro, seja na Freak Chic ou no Skol Beats (quem lembra?), mas, segundo a entrevista exclusiva Farina disse ter outras lembranças ainda do nosso país e traz novidades instrumentais. Confira abaixo.

Aproveite e entre no clima viajandão com harmonas alucinógenas de Mushroom Jazz Vol. 8 no play enquanto lê a entrevista e se recorda do final de semana. No último sábado, Mushroom Jazz desembarcou com aulas freestyle no PanAm.


House Mag – Fala Mark! Beleza? Primeiramente, quais são suas lembranças do Brasil?

Mark Farina – São várias as recordações… Posso citar algumas: a minha primeira visita no Natal de 1996. Colocando a pista no bolso em Juiz de Fora na minha primeira apresentação. Comida maravilhosa. Se perder de carro na volta de Cabo Frio pra Juiz de Fora em alguma floresta com um DJ francês dirigindo, nenhum brasileiro no carro e todos sem celular. Assistir grandes trovoadas em Campo Grande. Chegar de Helicóptero em uma festa acompanhado do DJ Phil Weeks no Réveillon na Bahia em 2015.

HM – No último verão você celebrou o incrível marco de 25 anos de Mushroom Jazz com o lançamento da oitava coletânea. O projeto também ressuscitou a festa homônima em São Francisco. Existe uma relação especial com a noite de São Francisco? Como foi o Mushroom Jazz em São Paulo?

MF – Claro, com certeza. Embora o mixtape Mushroom Jazz tenha se iniciado em Chicago, o desenvolvimento do som rolou especificamente em São Francisco todos esses anos. O projeto Mushroom Jazz Mondays começou por volta de 1994 depois da minha mudança para SF. É ótimo reativar a noite na minha terra! Meus sets sempre se diferem de um fim de semana para outro e depende da geografia. Em São Paulo passeei por funky e jazzy vibes variando de hip-hop para disco e house. Sempre com alguns truques na manga.

HM – A música brasileira tem se popularizando com a redescoberta de cantores antigos através dos edits de DJs. De Tim Maia a Gal Costa – esta que foi sampleada por Kaytranada. Você curte o movimento? Você tem planos de trabalhar com brasileiros?

MF – Eu já sampliei e usei vocais do Pelé no meu álbum “Air Farina”. Estou começando a conceber o próximo LP e essa é uma ótima ideia.

HM – O Mushroom Jazz tem uma atmosfera única e ao mesmo tempo psicodélica. Como esse conceito tem se diversificado nos últimos seis anos desde que você havia lançado a última edição?

MF – O conceito do projeto continua bastante similar desde sua introdução no mundo, talvez tenha ficado um pouco mais instrumental se falarmos do volume novo, mas de toda forma a vibe e o conceito continuam os mesmos. Batidas de hip hop old school com jazz.

HM – O produtor Freddie Joachim tem três faixas no Volume 8. Como você descobriu esse talento?

MF – Alguns anos atrás um amigo meu me deu uma porção de instrumentais deles e achei sua sonoridade perfeita pro Mushroom Jazz.

HM – Uma forte característica encontrada no seu trabalho é a fusão do hip hop das antigas com o novo. Que tipo de hip hop tem feito sua cabeça em 2017?

MF – Eu continuo procurando bastante o old shcool, escuto muito hip hop da velha escola sempre, os suspeitos usuais e também cavando os hip hop underground que já saiu no passado. O mais recente LP do Tribe Called Quest foi a única coisa nova que eu comprei recentemente, hip hop sábio.

HM – Falando agora em house music, nos últimos meses você tem produzido com Homero Espinosa hits como “You Should Be Dancing”. Como surgiu essa parceria e o que podemos esperar do encontro?

MF – Eu era um fã de suas tracks e rapidamente me liguei que ele era baseado na Bay Area também, então depois de chegar para obter mais de suas músicas diretamente, decidimos entrar no estúdio juntos. Sim!! Tem mais coisa pra sair do forno…

HM – Pra fechar a entrevista com mais groove, você poderia selecionar pra gente três nomes que trazem frescor pra música na sua opinião?

MF – Para house music… três nomes que vem à minha mente são:

– Demuir

– Iban Montoro & Jazzman Wax

– Dirt Crew record label
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