Conversamos com o DJ Mark Farina que apresenta seu projeto “Mushroom Jazz” em São Paulo

O americano Mark Farina é DJ lendário e veterano com trinta anos de pista. Iniciou sua carreira durante os anos 80 em Chicago, sua cidade natal, ao lado de Derrick Carter, representando o Chicago House. No início dos anos 90 mudou-se pra San Francisco e começou a mesclar a sua música com acid jazz e hip-hop, criando a série “Mushroom Jazz”, onde faz uma mistura única de downtempo, jazz, hip-hop e r&b em compilações mixadas como um set de house. O resultado é sempre refinado e de muito bom gosto. Em 2016 a série completou 25 anos e lançou a mais recente compilação “Mushroom Jazz Vol. 8” que traz nomes como Freddie Joachim, DJ Spinna, Jazzual Suspects, entre outros que você escuta no fim do post.

Com isso, Mark Farina divide suas gigs entre festas de house e festas direcionadas ao seu “Mushroom Jazz“. No Brasil, já veio várias vezes tocar house, mas os fãs do “Mushroom Jazz” ainda não tiveram essa oportunidade por aqui. Até agora… Porque nessa sexta-feira, dia 07 de Abril, o mestrão Mark Farina vai apresentar a sua série ao vivo no Pan Am Club em São Paulo. (Saiba mais aqui.)

Trocamos uma idéia com ele sobre a carreira, hip-hop, house, e claro, Mushroom Jazz. Saca só…

SPM: A série Mushroom Jazz completou 25 anos em 2016. Qual foi a origem da série?
MF: Eu comecei a história com as mixtapes por volta de 1989 em Chicago. Sempre pensando nessa fusão de elementos do hip-hop de Nova Iorque com o acid jazz europeu.

Seja na house music ou no downtempo/hip-hop, a sua música tem bases no jazz. Como iniciou essa paixão?

MF: Eu toquei trumpete durante o colegial, então as raízes começaram a partir daí. Com o tempo fui descobrindo, além dos clássicos, suas fusões com funk e soul e posteriormente as mais modernas. Fiquei muito envolvido no jazzy house quando começou a sair bastante coisa por volta de 1990.

SPM: Como funciona a seleção de tracks pro Mushroom Jazz? Os produtores já te mandam músicas ou vai tudo através da sua própria pesquisa?
MF: É uma combinação dos dois. Continuo garimpando e procurando muita coisa e também recebo tracks direto dos produtores que tenha essa pegada Mushroom Jazz.

SPM: Você ainda acompanha a cena Hip-Hop? Destaca algum novo nome?
MF: Não estou muito ligado nos novos artistas do hip-hop atual. Eu continuo gostando mais das coisas antigas. Desde que trabalhei numa loja de discos durante dez anos, entre 1990-2000, eu gosto de procurar disco antigos de artistas e selos independentes que eu possa ter deixado passar. Ou numa pegada hip-hop mais instrumental, sem vocais. O disco mais recente do A Tribe Called Quest é o que mais gosto atualmente.

SPM: Nos conte como começou a sua amizade com Derrick Carter no fim dos anos 80.
MF: Conheci Derrick por volta de 1988 em Chicago numa loja de discos chamada “Imports Etc.” que era perto da minha universidade. Ele tinha uma sessão na loja com seus discos e eu fiquei garimpando tudo de lá. Depois de trocarmos mais idéias percebemos que tínhamos um gosto musical muito em comum e começamos a sair juntos. Daí foi só amizade. Pouco depois alugamos um loft perto do estadio do Chicago Bulls que apelidamos de “Red Nail”.

SPM: Como foi se mudar de Chicago pra Sao Francisco nos anos 90 e viver as décadas de House Music na Bay Area?

MF: Foi muito interessante. Na verdade foi aos poucos. Demorou quase três anos. Por volta de 1994 comecei a ir pra San Francisco regularmente. Tive um apartamento em Chicago e outro em SF por três anos. O aluguel dos dois dava $500! SF era bem diferente de Chicago. Foi a época de ouro das festas da cidade. Toda noite da semana tinha festa. O Chicago House era novo em SF, assim como outras fusões do house que também funcionavam muito bem.

SPM: Pra você como a House Music mudou nesses mais de 20 anos de pista?

MF: De diversas maneiras, mas tão poucas ao mesmo tempo. Obviamente uma delas é a transição do vinil pro digital e a quantidade de música que sai toda semana. Mas muito da vibração original do House continua a mesma pra mim. Grooves e funky.

SPM: Com mais de duas décadas na pista, como se manter relevante pra um público mais novo e se manter no topo com os veteranos?

MF: Sempre procurando coisas boas desconhecidas e undergrounds. E sempre pesquisando músicas do passado pra descobrir novos hits pra pista e então tentar mistura-los com criatividade e bom gosto.

SPM: Você curte música brasileira? O que te chama atenção na nossa música?

MF: Sim, gosto muito. Prefiro as coisas mais clássicas. Como você já deve saber, o Brasil tem uma riqueza musical imensa. O soul e funk brasileiro é incrível!

SPM: Nos conte alguma boa lembrança de suas passagens pelo Brasil.

MF: Da primeira vez em 96 tocando em Juiz de Fora até a mais recente no Reveillon de 2015 na Bahia, eu me sinto um cara muito sortudo por ter tocado em tantas festas incríveis no Brasil. Skol Beats até o D-Edge de Campo Grande. E espero que ainda venham muitos mais!

Ouça o mais recente lançamento da compilação “Mushroom Jazz”:


Tracklist:
01. QSTN – Crawfish & Chips
02. Emapea – Best Believe
03. Dj Spinna – Duke
04. Freddie Joachim – Rain Drops
05. Freddie Joachim – Hear it from You
06. The Slipmat Brothers – Strictly Business
07. Jenova 7 – You Dig ?
08. Jazzual Suspects – Chalkboard
09. Freddie Joachim – Ride
10. Ph-Wert – Night Light
11. Fredfades & Eikrem – Focus Point
12. Riccio – Lil Boy
13. Emapea – Orange
14. George Kelly – Bright Lights ft. Andre Aspect & BnC (Instrumental)
15. The Slipmat Brothers – Economy of Movement
16. Sunner Soul – Body Boogie

Read original article.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *